Introdução ao Budismo - Glossário
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Kanjur (tib., literal.: as palavras traduzidas): coleçao dos ensinamentos diretos de Buda, dependendo da ediçao, 100, 103, 106 ou 108 volumes, primeira parte do cânone tibetano-budista (comparar Tengyur).

Karmapa (tib., literal.: “aquele que pratica a atividade búdica” ou “senhor da atividade búdica”): o primeiro Lama do Tibete a renascer conscientemente é o líder espiritual da Linhagem Kagyü desde o século 12. O Karmapa personifica a força ativa de todos os Budas, foi profetizado pelo Buda Shakyamuni e por Guru Rinpoche. Vários Karmapas deixaram uma carta antes de sua morte, descrevendo as exatas circunstâncias de seu próximo nascimento. Atualmente vive a 17ª encarnação:

1. Düsum Khyenpa 1110 – 1193 
2. Karma Pakshi                  1204 – 1283
3. Rangjung Dorje 1284 – 1339
4. Rölpe Dorje 1340 – 1383 
5. Deshin Shegpa 1384 – 1415
6. Tongwa Dönden 1416 – 1453
7. Tschödrag Gyamtso 1454 – 1506
8. Mikyö Dorje 1507 – 1554
9. Wangtschug Dorje 1556 – 1603
10. Tschöying Dorje 1604 – 1674
11. Yeshe Dorje 1676 – 1702
12. Djangtschub Dorje 1703 – 1732
13. Dudul Dorje 1733 - 1797
14. Thegtschog Dorje 1798 – 1868
15. Khakhyab Dorje 1871 – 1922
16. Rangjung Rigpe Dorje 1924 – 1981
17. Thaye Dorje 1983 – hoje


Lhaktong
(tib. / sct.: Vipashyana / pal.: Vipassana): meditaçao da visao; esta prática de meditaçao é utilizada como método tanto no Sutra como no Tantra e se apóia em uma sólida experiencia de Shine. Treina-se manter de momento a momento a visao da nao dualidade da consciencia que percebe e do objeto percebido. Existe uma abordagem direta e uma analítica.

Lama (tib., literal.: “o mais alto” ou “aquilo que nao tem nada mais alto acima”, segundo a etimologia tibetana popular também “mais alta mae”): uma das tres raízes. Mestre budista. Ele é especialmente importante no Caminho do Diamante. Sem ele nao existe acesso para os mais profundos ensinamentos. No Guru-Yoga, a meditaçao no mestre, recebemos sua bençao. Através da bençao experimentamos por momentos a verdadeira natureza da mente; o Lama espelha para o aluno, os tres estados da iluminaçao.

Liberaçao/liberado
: liberaçao do ciclo das existencias (Samsara), estado mental onde todo o sofrimento – junto com as causas do sofrimento – está completamente transcendido. Neste nível, as ilusoes do eu e todas as emoçoes perturbadoras sao suprimidas. Somente quando soltamos também as últimas idéias fixas sobre a realidade, falamos de iluminaçao

Linhagem Gelug, escola Gelug, os Gelugpas
(tib.: para “virtuoso”), também escola dos “chapéus amarelos”: a mais nova das quatro linhagens principais do budismo tibetano. Essa escola reformada, fundada somente no século 14 por Tsongkhapa, dá especial enfase para o estudo dos textos e para a tradiçao monástica. Apesar desta escola possuir também diversas transmissoes tântricas, ela geralmente classifica a si mesma como pertencente ao Mahayana, e nao ao Caminho do Diamante.  

Linhagem Kagyü, escola Kagyü, os Kagyüpas
: uma das quatro escolas principais do budismo tibetano. Ela abrange os velhos e novos ensinamentos que chegaram até o Tibete. Como ela possui uma forte transmissao dos realizadores e é muito orientada para a prática, ela é chamada de escola “oral” ou “aperfeiçoadora”. Ela foi trazida para o Tibete pelo herói Marpa, ca. de 1050 e tira sua força da estreita relaçao mestre-aluno. Quatro escolas maiores e oito menores encontram sua origem nos quatro alunos principais de Gampopa. Hoje as maiores estao todas dissolvidas na escola Karma Kagyü, cujo líder espiritual é Karmapa. Das oito linhagens pequenas, os Drukpa e Drikung Kagyüpas tem muitos adeptos no Butao e Ladakh.

Linhagem Nyingma, escola Nyingma, os Nyingmapas: a mais antiga das quatro linhagens principais do budismo tibetano, a “escola antiga”. Ela foi fundada pelo mestre indiano Guru Rinpoche (tib./sct.: Padmasambhava) no século oito. Diferencia-se entre a tradiçao Kama, a escola da transmissao direta de mestre para aluno, e a tradiçao Terma, a transmissao dos tesouros “escondidos”.  O rei Langdarma, inimigo do budismo, destruiu pouco tempo depois os mosteiros e a linha de transmissao, mas as Termas redescobertas pelos Tertöns (descobridores de tesouros) salvaram os ensinamentos de Guru Rinpoche para geraçoes póstumas. Muitos Tertöns eram Kagyüpas, e pela sustentaçao mútua das transmissoes se formou uma conexao próxima entre as escolas Kagyü e Nyingma.

Linhagem Sakya, Escola Sakya, os Sakyapas: uma das quatro escolas principais do budismo tibetano, fundada por Khön Könchok Gyalpo no século 11. Nela se dá enfase tanto no estudo como também na prática de meditaçao.

Lung (tib.): leitura ritualística dos textos do Caminho do Diamante. O simples ouvir das sílabas transmite seu significado interior (ver também iniciaçao)

Maha-Ati (sct.): ver Grande Perfeiçao

Mahamudra (sct.): ver Grande Selo

Mahasidha/s (sct./tib.: Drubtschen; literal.: “grande realizador”): grandes mestres tântricos indianos, que foram famosos por alcançarem a iluminaçao em uma vida, através dos fortes meios do Tantra e do  Grande Selo. Eles vinham de todas camadas sociais e realizaram a natureza da mente sob condiçoes externas de vida freqüentemente bem normais. Eles podiam, com sua força espiritual, provocar mudanças no mundo das aparencias e com isso convencer os alunos da eficácia dos ensinamentos. Entre eles, Tilpoa e Naropa tem um significado destacado na linhagem Kagyü.

Mahayana (sct.): ver Grande Caminho

Mandala (sct./tib.: Khyilkhor; literal.: “centro e contorno”), vários significados:

  • campo de força de um Buda, que se forma das incontáveis possibilidades do espaço, ou a representaçao figurativa disso. No sentido mais amplo, também campo de força de uma pessoa ou um grupo.
  • universo imaginado mentalmente, cheio de preciosidades, que presenteamos aos Budas, durante as oferendas de mandala, na terceira parte das práticas Preliminares.

Manto Negro (tib.: Bernagtschen / sct.: Mahakala): protetor principal da linhagem Karma Kagyü, preto azulado, saltando ou com sua parceira Deusa Radiante (tib.: Palden Lhamo) cavalgando numa mula. Na mao direita ele segura um cutelo que corta todos os obstáculos, na esquerda uma vasilha de crânio com o sangue do coraçao do ego.

Mantra (sct./tib.: Ngag): vibraçao natural de uma forma búdica. Ativa o campo de força de um Buda. Muitas meditaçoes do Caminho do Diamante contem um trecho onde sao recitados mantras.

Marpa (1012 – 1097): também conhecido como “grande tradutor”, viajou tres vezes a Índia e lá passou muitos anos para aprender junto de seus mestres. Ele foi capaz de reerguer o Budismo no Tibete. Seus mestres principais foram Naropa eMaitripa, dos quais recebeu os seis ensinamentos de Naropa e os ensinamentos para o Grande Selo. Ele foi o primeiro sustentador tibetano da escola Kagyü e se tornou mestre de Milarepa. A transmissao laica – de realizadores –da linhagem Kagyü também é chamada muitas vezes de “Marpa-Kagyü” (comparar Gampopa).

Meditaçao (budista): a palavra tibetana Gom significa “conhecer-se com” e expressa um processo pelo qual a mente fica treinada a deixar cair seus véus. Aqui usamos meios que transformam o que antes foi entendido conceitualmente em experiencia própria.  Meditaçao é o permanecer sem esforço naquilo que é. Nos diversos níveis dos ensinamentos budistas sao ensinados métodos diferentes, mas que podem na essencia ser resumidos em Shine e Lhagtong. No Caminho do Diamante, os meios mais importantes sao: a uniao com a iluminaçao, o despertar dos campos de força iluminados através de mantras e o sustentar da Visao Pura. Como antigamente nas cavernas dos realizadores no Tibete, a meditaçao guiada (tib.: Gomlung) possibilita hoje a um grande número de meditadores o acesso para os incontáveis meios do Caminho do Diamante.

Meditaçao no 16° Karmapa: Esta meditaçao foi escrita pelo próprio 16° Karmapa. Ela é uma forma de Guru-Yoga e conforme o desejo do 16° Karmapa, ela é utilizada como prática principal para as meditaçoes em grupo nos centros do Caminho do Diamante.

Mente de diamante
(tib.: Dorje Sempa/ sct.: Vajrasattva): Buda da força purificadora de todos os Budas, no estado de alegria, sentado. A mao direita segura um Dorje na direçao do coraçao, e a esquerda um sino perto do quadril. Ele personifica todas as famílias búdicas. 

Mente iluminada
(tib.: Djangtschub Kyi Sem / sct.: Bodhitschitta): fundamento para o Grande Caminho e o Caminho do Diamante. O desejo de alcançar a iluminaçao para o bem de todos os seres. A mente iluminada condicionada (relativa) consiste do desejo e mais adiante da açao de se aperfeiçoar para o bem de todos os seres através das seis açoes liberadoras. A definitiva (absoluta) mente iluminada é o reconhecimento de que a vacuidade e a compaixaosao inseparáveis, atividade espontânea e sem esforço, sem pensamentos ou hesitaçao, sujeito, objeto e ato nao sao mais experimentados como sendo separados entre si. Atitude da mente de um Bodhisattva.

Milarepa (1040 – 1123): aluno principal de Marpa e mestre de Gampopa. Ele é o mais conhecido dos realizadores tibetanos. Depois que ele, a desejo de sua mae, se vingou de 35 inimigos da sua família e os matou, ele procurou um caminho para purificar de novo o carma negativo acumulado.  Ele encontrou Marpa e, por causa da sua inabalável confiança nele e sua vontade de meditar mesmo sob as mais difíceis condiçoes, alcançou a realizaçao dos ensinamentos em uma vida.

Nao limitaçao: descreve o fato de que as açoes búdicas se manifestam desimpedidas, espontâneas e sem esforço a partir do espaço.

Naropa (1016 – 1100): mahasidha indiano, no início erudito de Nalanda, uma das grandes universidades budistas na Índia, mais tarde aluno de Tilopa e mestre de Marpa. Depois de oito anos, renunciou a vida academica e se tornou um realizador andarilho mendicante a procura do seu mestre verdadeiro. Ele compôs a primeira síntese escrita sobre ensinamentos tântricos importantes, os seis ensinamentos de Naropa (tib.: Naro Tschö Druk)

Natureza búdica
: a natureza da mente, o potencial da budaidade, inerente a todos os seres.

Ngöndro: ver práticas preliminares

Nirvana (sct./ tib.: Nya-ngen le de-pa): no geral, libertaçao do sofrimento no Samsara, específico no Mahayana, estado da perfeiçao (budaidade).

Olhos Amorosos (tib.: Tchenrezi / sct.: Avalokiteshvara): Buda da compaixão e do amor que não faz distinção; em estado de alegria, branco, sentado, com quatro braços. A mão direita externa segura um mala de cristal, que libera todos os seres do mundo condicionado. As duas mãos centrais circundam a jóia da iluminação na frente do seu coração. A mão esquerda externa segura uma flor de lótus, que mostra a pureza de sua atitude. Seus olhos veem cada ser.

Pensamentos básicos: ver Quatro pensamentos básicos

Pequeno Caminho (tib.: Thegtschung / sct.: Hinayana): na classificaçao tibetana o caminho dos “ouvintes” (sct.: Shravakas) e os “Budas que nao ensinam  (sct.: Pratyekabuddhas). Aqui o foco está na própria liberaçao.

Práticas preliminares: (tib.: Tschagtschen Ngöndro; literal.: a preparaçao para o Grande Selo): elas consistem das quatro preparaçoes comuns (ou também quatro pensamentos básicos) e das quatro práticas preparatórias especiais. Com as preparaçoes especiais, as práticas preliminares, criamos incontáveis boas impressoes no subconsciente. Elas formam o fundamento para o Grande Selo. Em cada uma dessas práticas existem 111.111 repetiçoes:

  • tomada do refúgio e o despertar da mente iluminada nas prostraçoes
  • purificaçao das impressoes que trazem sofrimento através da meditaçao em Mente de Diamante
  • o presentear de mandalas nas doaçoes de mandala
  • Guru-Yoga, a meditaçao no Lama

Phowa (tib): a meditaçao do morrer consciente. Aprende-se a mandar a consciencia para fora do corpo para dentro do coraçao do Buda da Luz Ilimitada e se prepara assim para a morte. O efeito de uma prática bem sucedida é ter menos medo, e na hora da morte ir para a terra pura da grande alegria.  De lá podemos continuar a nós desenvolver até a iluminaçao.

Promessa de Bodhisattva: a promessa de realizar a iluminaçao para o bem de todos os seres e trabalhar com força e persistencia até que todos os seres estejam liberados ou sejam iluminados. É feita na presença de um Bodhisattva e repetida na meditaçao diária para fortalecer a motivaçao. 

Protetores (tib.: Tschökyong): uma das tres raízes. Sua funçao é remover obstáculos no caminho para a iluminaçao. Sua força faz com que cada experiencia se torne uma parte do caminho. Os protetores, fonte das atividades búdicas, sao assim como os Yidams, expressao do estado da alegria da iluminaçao e em sua essencia inseparáveis do Lama. Na linhagem Kagyü, Manto Negro e Deusa Radiante sao os protetores mais importantes.

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